Logo que chegou à Ilha de CARAS com o marido, o médico Jaime Rabacov (57), Totia Meireles
(54) avisou para não repararem na voz rouca, em alguns hematomas e
arranhões pelo corpo, resultados da gravação de uma cena de briga entre
sua maquiavélica Wanda com a mocinha Morena, papel de Nanda Costa (26), em Salve Jorge. “Ela está a cada dia pior. Apanhei pela segunda vez”,
diverte-se.
Quem conhece bem a atriz sabe que o alto-astral
é constante. Mas o sorriso fácil ficou ainda mais luminoso com a
excelente fase profissional. A enxurrada de elogios pela atuação como
a aliciadora de garotas na trama de Gloria Perez (64)
transformam Totia na vilã do momento na TV. O reconhecimento, em 27 anos
de carreira, é recebido com felicidade, mas também com cautela. “Tudo
o que conquistei foi de degrau em degrau, como uma escadinha que
ficou um pouco mais alta. É uma profissão difícil, já fiz trabalhos
bacanas, agora houve o estouro. Ao mesmo tempo, sei que passa. Mas vou
aproveitar, é meu momento”, avalia.
Com a mesma sensatez, analisa
também decisões da vida afetiva, como a opção por não ter tido filhos. A
atriz já sonhou com a maternidade, tentou engravidar com tratamento,
mas não conseguiu e a vontade passou. “Não tenho nenhum
arrependimento. Percebi depois que não queria mesmo ser mãe, ter esta
responsabilidade de criar e educar uma criança”, ressalta.
Casada
há 21 anos com Jaime, os dois vivem uma união feliz, mas em
casas separadas, ela, no Rio, ele, em Miguel Pereira, serra fluminense.
O médico, aliás, é fã número um.
– O sucesso da Wanda tem influenciado a vida a dois?
Totia – Jaime me conheceu fazendo teatro e TV. O
assédio tem sido maior agora. Mas ele entende, diz que devo aproveitar. E
fica feliz por eu estar conseguindo isso.
Jaime – O mais legal não é nem propriamente o sucesso,
isso é consequência. Mas o reconhecimento pelo trabalho. Totia a vida
toda buscou o correto. Estuda muito e tem uma história que, de certa
forma agora está sendo legitimada pela qualidade do trabalho.
– Há algum tipo de cobrança por não ter sido mãe?
– Em meu círculo de amizade seis mulheres não tiveram filhos. Sei que
hoje é muito mais difícil tomar uma decisão assim. Há pressão da
família, da sociedade... Acho besteira frases feitas como: ‘Mulher só é
mais mulher quando tem filho’. Nada disso. Não me sinto menos que
ninguém. Maternidade a gente exercita de várias formas, não só parindo.
Mãe que adotou não vai ser tão mulher como a que pôs no mundo?
– E já pensou em adotar?
– Nunca passou pela minha cabeça, não queria ter a responsabilidade de
educar. Agora estou curtindo os netos — Santiago, de 4 anos, Pilar, de 5
meses, filhos de Olívia, de união anterior do Jaime.
– E como é a Totia avó?
– Fui direto para a parte boa. Acho tão bonitinho me chamarem de vovó.
Mas não estrago muito, acho sacanagem com a mãe. Quando Santiago vai lá
para casa, desarruma tudo, a gente brinca, faz suas vontades, mas ele
precisa seguir algumas regras. Hoje em dia, louvo criança
bem-educada, vejo o quanto é difícil impor limites. Então, não vou
estragar.
– E o passar do tempo?
– Dizem que cheguei bem à idade. Mas os números assustam. Lembro que
estava louca para fazer 50, depois que fiz, não achei bom. Envelhecer
não é nada engraçado. Tomara que demore para os 60.
– Qual sua receita de beleza?
– O que fiz a vida inteira sem saber foi me cuidar e vejo
resultados hoje. Nosso corpo é como uma máquina. Por isso, é sempre
necessário uma boa alimentação e a prática de exercícios. Meu pai,
José Meireles, que morreu há cinco meses, aos 89 anos, era
engenheiro, mas foi quem sempre me estimulou. Aprendi com ele a
nadar, jogar vôlei, basquete. Depois, comecei cedo no balé e me
formei em Educação Física. O Jaime, por ser médico, também se
preocupa muito com a nossa alimentação.
– Tem boa autoestima?
– Gosto do meu corpo, do que vejo. E procuro sempre estar bacana. Só
que, às vezes, ela está em baixa. Mas há algo em mim que acho muito
positivo. Não tenho uma ‘nuvenzinha negra’ na cabeça. Se preciso acordar
supercedo para gravar, não fico de mau humor. Afinal, estou fazendo um
personagem maravilhoso. Quantos atores estão desempregados? Por
isso, procuro tirar sempre o máximo proveito de todas as situações, isso
faz a vida ficar mais leve.
– E a repercussão da Wanda?
– Ela tomou um vulto que eu não esperava, muito rapidamente caiu no
gosto do povo, ou no desgosto. Todos perguntam se alguém me bate na rua,
me xinga, mas não rola. Acho que tenho crédito na praça. Quando me
veem, as pessoas, em primeiro lugar, elogiam: ‘Ah, o teu trabalho está
muito bacana, mas estou te odiando’.
– E como recebe os elogios?
– O sucesso é pelo trabalho de todos da equipe, da direção. No momento,
Wanda ganha a fama, pois coloca a mão na massa. Tudo tomou esta
proporção quando a Gloria resolveu mostrar como uma aliciadora age. Não
que ela seja a mais malvada, a mais vilã.
– Acha que demorou para ter um papel assim?
– Chegou no momento que tinha de ser. Não tenho expectativa de grandes
saltos, vou levando. O que vem, tiro proveito máximo. Mas estou muito
feliz.
– É seu melhor personagem?
– Vai marcar, assim como a Vera de América. Mas creio que as
pessoas vão me enxergar de outra forma depois dela. A gente se
supera. Já tinha feito vilãs no teatro, mas nunca na TV, no horário
nobre.
– O que as pessoas podem esperar ainda dela?
– É um polvo que solta tentáculos para todos os lados. E há um deleite
dela com a coisa do mal, de tripudiar, é quase uma psicopata. Wanda vai
aprontar muito ainda.
– A trama já ajuda na luta contra o tráfico de seres humanos?
– Sim, os aliciadores estão com mais dificuldades de agir. É
muito difícil saber, as traficadas não falam, é tudo muito escondido,
um crime invisível. Antes de estudar o assunto, não tinha noção do que o
ser humano era capaz. É o terceiro maior tráfico do mundo, que inclui
prostituição, trabalho escravo. O primeiro é droga, o segundo, arma.
Tratam as pessoas como objetos. Mas só a possibilidade de alertar já é
um grande serviço.
A atriz está na capa da Revista Caras desta semana!





Comentários